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  • 15-12-2017 | 11:04h

Nossa Sociedade e seus (des) valores

Nossa Sociedade e seus (des) valores

A vida em sociedade sempre é originária de problemas, onde os indivíduos têm que ter a capacidade de administrar os conflitos próprios e os sociais, bem como saber lidar com as frustrações e sonhos. A grande questão é que o problema, dentro de uma sociedade sempre se renova, como os problemas são originados nos seres sociais e como todo ser social é transitório e mutável. É lógico que os problemas dentro de uma sociedade também serão móveis e se renovarão a cada momento. Qualquer um que tiver um pouco de atenção com o comportamento humano verá que o que move a sociedade é a inveja, em qualquer grupo social a inveja é o motor de evolução, em uma igreja, no trabalho, no amor, no esporte, o que todos estão querendo? Chegar aonde o outro chegou, tomar o que o outro conquistou possuir um objeto melhor que o de seu oponente, obter uma perfeição estética melhor que o outro.

A grande característica das sociedades miméticas é a velocidade que as crises surgem, o homem moderno cria o problema e depois se pergunta o que fazer com ele, por exemplo, criamos o automóvel, nos tornamos homens sapiens motorizados, e não paramos para pensar que ao ver um indivíduo andar de carro o outro também quis, e o próximo também se achou no direito de ter um automóvel, e o mimetismo foi sendo reproduzido socialmente, e não sabemos como resolver esta crise. O problema é que nossas ações diante de uma crise é determinada pela nossa ideologia, pelas nossas crenças, um homem que foi criado dentro dos valores materialistas economicista, não estará preocupado com a questão ambiental, por exemplo, aí esta a prova que o indivíduo age sobre a sociedade, que o eu do indivíduo em certas questões é mais forte que o eu da sociedade, milhares de seres humanos são reféns do desejo e dos conflitos e desejos de um pequeno grupo de homens animais.

Acompanhar essas profundas alterações em nível dos comportamentos sociais e individuais. Coloca-nos na marcha para uma globalização, por outro lado, seguimos uma trajetória cada vez mais dirigida ao individualismo. Percebemos o indivíduo como criação histórica que surge entre o desconcerto e a exaltação. Sujeito livre da arbitrariedade dos poderes por uma série de direitos ditos modernos que garantem a sua inviolabilidade sofrendo, entretanto, a autorização de ser o seu próprio amo, com uma fragilidade constante. A partir do momento em que se liberta de obrigações e se reconhece como seu próprio guia orientado unicamente pela luz de seu entendimento, o indivíduo perde ao mesmo tempo a segurança de um lugar, de uma ordem, de uma definição. Ganha a liberdade, porém perde a segurança.

No momento em que o homem sente que a condução de sua vida depende dele próprio não há como culpar um fator exterior. O homem culpa a si próprio. Ele carrega dentro de si o sentimento da insuficiência. Impossibilitado, na maioria das vezes, de atingir um ideal que erigiu para si a partir de uma liberdade que lhe é acenada, o homem atual permanece muitas vezes mais prisioneiro de suas perdas do que de seus ganhos. Se, no passado, a melancolia era característica do homem de gênio, excepcional, hoje a depressão é a maneira como se exprime.

Esse homem aprisionado às exigências de um ideal que o alimenta e ao mesmo tempo o destrói, vive o conflito entre o que efetivamente é capaz e o que verdadeiramente ele deseja. Sofre, portanto, uma fratura entre as exigências de um ideal do eu e as possibilidades de seu eu ideal fragilizado.

Liberdade conquistada? Será o descompromisso com o sangue, a tradição, a família, o encontro, enfim, concretizado da existência com a verdade do ser? Numa palavra, haverá substância humana sem fantasmas? Qual o encanto das casas, das ruas, das árvores sem almas que lhes corporifiquem a alteridade do mistério? Sim, o mistério das coisas é o próprio encanto das coisas.

Insisto, um altissonante silêncio. Perdemos então o mistério do passado institucional e o apetite para com o presente.

Conquistamos uma inegável capacidade de tolerância. Somos permissíveis em relação a comportamentos estranhíssimos, temos uma sensibilidade generosa para as tragédias e misérias televisivas e, contudo, muitas vezes rodopiamos no estetismo mais inócuo, na tolerância transformada em tanto faz.
O que existe é uma destituição do que antes era superior, uma redefinição de valores. Os indivíduos buscam e agrupam os seus semelhantes, aqueles que coincidem nos seus interesses extremamente especializados e, por intermédio do domínio irrestrito da informação e da expressão, distintivos da pós-modernidade, comunicam apenas por comunicar. Entregam-se ao prazer narcísico de se exprimirem para nada, o que configura a consequência mais agravante do individualismo contemporâneo.

Caminhamos desacompanhados de nossa sombra esquecemos a memória porque dela não mais nos lembramos, viajamos para o futuro, sem bússola nem dor nostálgica. A modernização das sociedades ocidentais, ao outorgar a validade de grupos sociais em eterno conflito, criou certa subjetividade muito peculiar. Se a modernidade instaura a diversidade ampla de comportamentos possíveis e aceitáveis, algo ficou pra trás: a segurança de pertencermos ao mesmo fluxo de sangue de nossos antepassados, a algum lugar de referência em nossa memória histórica.

Na sociedade contemporânea, tudo o que não está transformado pelo capitalismo é mais valorizado e almejado, desde objetos a pessoas. A maioria das pessoas sonha em ter um sítio e uma casa num lugar tranquilo, em meio à natureza, a comer produtos naturais, sem agrotóxico, corantes, aromatizantes, conservantes e muitos outros "antes" matantes inseridos nos alimentos industrializados; em beber uma "água de poço", comer comida "caseira" e realizar trabalhos manuais. Este parece ser, sem dúvida, o melhor modo de vida que se possa ter, mas as pessoas só o mantém de forma abstrata e utópica, tornando-se escravas e cegas pelo modelo de vida capitalista.

O homem deseja viver em sociedade, em rebanho. Para tanto, acordou um pacto em que se utilizava de signos resultantes de um processo arbitrário de nomeação. Se a base de sustentação do pacto é esse conjunto de códigos arbitrariamente "arranjados", designações como Justiça, Verdade e Bem não passam de palavras que repousam no vazio, visto que não há sentido originário. Que o Homem e nossa sociedade percebam o caminho tortuoso em que estamos sendo levados e que não sejamos mais comandos pelos (des) valores sociais.

  


Lucio Alberto Couto Gusmão

Graduado em Historia, pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC; Especialização em Historia, social econômica e política do Brasil; pelas Faculdades São Bento da Bahia; professor de Ensino Superior na Unime; professor de História e Filosofia no Instituto Nossa Senhora da Piedade; Ilhéus –BA.

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