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  • 15-12-2017 | 11:05h

A cultura e a arte são elementos essenciais para a afirmação da identidade do povo negro.

A cultura e a arte são elementos essenciais para a afirmação da identidade do povo negro.

A cultura e a arte são elementos essenciais para a afirmação da identidade do povo negro. Bailes e clubes negros que se proliferaram por todo país no pós abolição são importantes símbolos de resistência da comunidade negra, uma vez que se constituem como espaços de manifestação e fortalecimento da cultura negra. Nos anos 70 os bailes negros inovaram seus ritmos sob a influência da soul music. A juventude, de então, inaugurou novas formas de comportamento e protesto com referências do movimento Black Power, exibindo-as em sua fala e modo de vestir, reinventando a sua identidade e contribuindo para a organização política da população negra.

Esses ajuntamentos juvenis em shows, bailes e discotecas onde é possível a troca de experiências, permitem – até hoje - a reflexão sobre a condição do negro na Diáspora Africana. Por meio da cultura, o jovem negro pode assumir politicamente uma identidade negra, descortinar sua consciência pela luta da equidade social e diminuição do preconceito do racial.

A juventude negra ensartada, em contexto social hostil - principais vítimas da violência urbana – em uma sociedade historicamente racista, compondo grande parte da população brasileira e ocupando menores espaços de representatividade, vive o desafio de se fazer perceptível a partir das suas múltiplas expressões, considerando que a cor da pele não é elemento homogenizador das expressões culturais da negritude.

É nessa perspectiva que surge o projeto Balada Black, da necessidade de criar um espaço de fruição das manifestações relacionadas à cultura negra; de interação, politização e entretenimento. Iniciativa que se deseja como uma proposta multiartística e política, visando dialogar, sobretudo, com diversas expressões culturais da comunidade negra, além de utilizar-se da ludicidade como forma de chamar a atenção para temas estreitamente relacionados à juventude. Serão realizadas performances de discotecagens integradas a uma temática que será permanentemente explorada através de trilhas sonoras, videoprojeções (filmes, curtas metragens e outros experimentos visuais) e outras intervenções artísticas, tais como performances (poesia, dança, teatro) e fotografia, literatura com lançamentos de livros, priorizando em grande medida, artistas locais e participações especiais de artistas já consagrados no cenário nacional.

O projeto tem como princípio valorizar manifestações culturais por vezes esquecidas, associadas à violência; que não possuem espaços ou ainda são marginalizadas. Além de levantar questões e reflexões sobre as políticas culturais desenvolvidas para esses grupos em questão, o projeto ambiciona criar uma rede cultural de forma que as informações possam circular de maneira mais interativa entre os produtores, artistas, intelectuais e o público. Com a criação de um espaço permanente de discussão e informações culturais, será possível aproximar jovens - independentemente do grupo social a que pertençam - de Salvador, transformando a ideia de que a juventude negra possa ser identificada apenas pela insígnia da violência e pobreza em uma nova vertente de ampliação dos horizontes de expectativas, acreditando no que a arte é capaz de proporcionar.

Por outro lado, existem algumas características que favorecem a implementação deste projeto, dentre as quais podemos citar a possibilidade de ter um espaço dedicado à cultura produzida na capital (e em outras cidades do Estado da Bahia) ainda que sem tanta visibilidade e investimento, tem se mostrado resistente e atuante. Com as edições da Balada Black, serão legitimados estes movimentos culturais o que acarretará em um impacto cultural positivo, possibilitando uma ampliação desses movimentos e incentivando a criação de novos.

Em sua primeira produção, a Balada Black lançou o livro infantil Bucala:a pequena princesa do Cabula, no Museu de Arte da Bahia no dia 30 de setembro. O livro narra a história de Bucala, retrata as suas vivências: a afetividade com a mãe, Lacabu e com seu pai, Clabu. Fala do contato com o mais velho (o ancião bem-preto-de-barbicha-bem-branca) sábio que lhe contava histórias, casos dos ancestrais africanos. O livro ainda demonstra a forma mítica e poética que Bucala se relaciona com a natureza do Quilombo do Cabula, que no século 19 foi um lócus de resistência à escravidão e um dos importantes aquilombamentos da Cidade do Salvador-Ba. O texto é do escritor Davi Nunes com ilustração de Daniel Santana.

Por: Eliã Silva (professora da rede estadual de ensino, produtora cultural)
e-mail: baladablackmultart@gmail.com
Instagram: @blackbalada
Facebook: @baladablackmultart

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